Conto PROSA & VERSO: Indo para Escola (Cleno Vieira)

Conto PROSA & VERSO: Indo para Escola (Cleno Vieira)

 

No início do distinto ano de 2008, dois primos estavam prestes a viverem uma de suas melhores experiencias até então possíveis de viver, a de conhecer uma escola de verdade, as outras vezes em que estiveram próximo de uma fora de passagem ou de brincadeira na casa da avó materna. Para toda criança a sensação de ficar algumas horas fora de casa durante o dia não é nada interessante, ainda mais em um espaço difuso e estranho a sua realidade. Por ser uma escola voltada ao ensino infantil os meninos por ora foram poupados dessa vivência pouco atraente.

Matricula realizada era hora de conhecer o recinto tão falado pelos pais, mais precisamente as mães dos meninos, que eram meia-irmãs por parte de mãe. Os meninos Lucas e Talo, redução carinhosa de Talisson. O dia como de praxe era uma segunda-feira, em seu turno matutino, todos prontos com a farda do “prezinho”, ajustada, só faltava chegar na escola, a caminhada era pouco cansativa, sim, a família não dispunha de veículo para locomoção, mas a cidade era pequena. De uma manhã fria e sonolenta saíram de casa às duas irmãs e seus dois menores, elas estavam pondo em prática não somente o que diz a lei, mas também seus respectivos sonhos de educarem os pequenos com uma educação que não tiveram acesso.

Sem demora, chegaram antecipadamente no Pré-Escolar, localizada cerca de 3 km de casa, próximo à igreja catedral católica, pois bem, a cidade é sede de uma diocese, os meninos adoravam ver aquele prédio com torres enormes apontando para o céu, tudo era tão lindo e fascinante. Chegada as 7h da matina o portão da referida escola é aberto, todos, compassadamente entram, como se estivesse acontecendo uma cerimônia de formatura, como relatado várias pinturas enlouqueceram Lucas e Talo, o colégio era repleto, parecia um mundo encantado, só esqueceram de avisar que dentro da sala de aula somente ficam os alunos e seus educadores (professores), os responsáveis retornam apenas no horário previsto para saída.

E foi ao som de Dominique (Dominique nique nique), música francesa de Jeanine Deckers, sensacional, todos enfileirados após despedirem-se de seus pais entraram na sala para sua primeira aula, a comoção tomou conta daqueles meninos, que pela sua primeira vez ficava longe de casa por um período do dia, as lagrimas foram mais presente em Lucas, pois o mesmo não via o pai cotidianamente, sua mãe tomou conta de fazer esse papel, geralmente eram somente os dois nos momentos mais importantes na vida do garoto, foi assim do maternal a faculdade, ele pensava que sua mãe não voltaria para buscá-lo, pois bem esse menino cresceu pensando dessa maneira, é tanto que escrevera este conto para lembrar dos momentos vividos com sua mãe, dona Nenê, a qual retornou para apanhá-lo todas às vezes.

  • Cleno dos Santos Vieira, é acadêmico de Letras Vernáculas na Universidade Federal de Sergipe, cidadão honorário de Propriá (título este a ser recebido) escreve para a coluna digital Prosa & Verso da web rádio Atalainha.

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