{"id":769,"date":"2020-03-22T04:59:46","date_gmt":"2020-03-22T07:59:46","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadapraia.com.br\/?p=769"},"modified":"2020-03-22T05:03:40","modified_gmt":"2020-03-22T08:03:40","slug":"resenha-de-historia-economica-do-brasil-de-caio-prado-junior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadapraia.com.br\/?p=769","title":{"rendered":"RESENHA DE HIST\u00d3RIA ECON\u00d4MICA DO BRASIL DE CAIO PRADO JUNIOR"},"content":{"rendered":"<p>Marcos Em\u00edlio Ekman Faber e Ismael Wolf<br \/>\nOrientadora: Dra. Ana Inez Klein<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Caio Prado J\u00fanior formou-se em Direito em 1928 na USP, em 1956 obteve a Livre Doc\u00eancia com a tese Diretrizes para uma Pol\u00edtica Econ\u00f4mica Brasileira (USP). Foi eleito Deputado Estadual em 1947 pelo PCB, por\u00e9m teve o mandato cassado em fun\u00e7\u00e3o da ilegalidade em que o partido foi submetido durante o Estado Novo. Entre suas principais obras est\u00e3o: Hist\u00f3ria do Brasil Contempor\u00e2neo, A Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira e Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil, que resenhamos neste trabalho. As obras do autor est\u00e3o dispon\u00edveis pela Editora Brasiliense do qual \u00e9 o fundador.<\/p>\n<p>O livro Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil, como sugere o nome, \u00e9 uma obra cujo referencial te\u00f3rico \u00e9 o marxismo, hist\u00f3ria econ\u00f4mica. A abordagem da obra \u00e9 ampla, desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o s\u00e9culo XX (1970). A tese central de Caio Prado J\u00fanior est\u00e1 em sua afirma\u00e7\u00e3o de que houve um sistema colonial brasileiro, sistema de moldes pr\u00e9-capitalistas &#8211; modo de produ\u00e7\u00e3o pr\u00e9-capitalista -, ao qual se refere como \u201cvelho sistema\u201d que durou do in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final da Segunda Guerra Mundial. No p\u00f3s-Guerra o pa\u00eds mergulhou definitivamente no sistema capitalista. As for\u00e7as capitalistas j\u00e1 haviam surgido no per\u00edodo anterior, principalmente entre os grandes cafeicultores paulistas, o autor lembra que as elites emergidas nos per\u00edodos anteriores, tais como os senhores do engenho e os grandes mineradores que acumularam grande riqueza, n\u00e3o souberam discernir o novo momento e, portanto, tornaram-se os grandes opositores das transforma\u00e7\u00f5es que a nova elite necessitava, estes antigos senhores, segundo o autor representam at\u00e9 nossos dias as for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o a qualquer tentativa de transforma\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds necessita. Outro problema enfrentado para que houvesse um desenvolvimento econ\u00f4mico nacional foi a depend\u00eancia dos mercados e do capital externo, o que fez com que nossa economia fosse sempre perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil<\/p>\n<p>Caio Prado inicia a obra descrevendo as caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas do Brasil e do car\u00e1ter inicial da forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica brasileira, a extra\u00e7\u00e3o do Pau-Brasil, e do contexto econ\u00f4mico internacional, o capitalismo comercial e a expans\u00e3o mar\u00edtima. O inicio da coloniza\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 associada ao novo momento vivido pelo despertar do capital mercantil na Europa. A extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima do solo colonial atendia as necessidades comerciais europ\u00e9ias. O \u201cdescobrimento\u201d da Am\u00e9rica pelos europeus e a conquista de col\u00f4nias na \u00c1sia inauguraram um novo momento hist\u00f3rico: o Antigo Sistema Colonial. Por \u201csistema colonial\u201d, o autor esta se referindo a um sistema pr\u00e9-capitalista de produ\u00e7\u00e3o, onde h\u00e1 um Estado forte e centralizador que atende aos interesses da burguesia mercantil local e a col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o que fornece as mat\u00e9rias-primas necess\u00e1rias aos interesses comerciais da metr\u00f3pole. Caio Prado J\u00fanior ao se referir ao sistema econ\u00f4mico colonial se refere a um sistema pr\u00f3prio que, apesar de ligado ao capitalismo, \u00e9 independente dele, trata-se de um sistema que cria as bases para o sistema capitalista emergente, \u00e9 por tanto, um modo de produ\u00e7\u00e3o independente do capitalismo.<\/p>\n<p>Caio Prado Junior passa a descrever o povoamento colonial, afirmando que inicialmente o povoamento da Am\u00e9rica n\u00e3o \u00e9 interessante. Os interesses europeus no continente s\u00e3o estritamente comercias.<\/p>\n<p>\u201cNestas condi\u00e7\u00f5es, \u2018colonizar\u2019 ainda era entendido como aquilo que dantes se praticava; fala-se em coloniza\u00e7\u00e3o, mas o que o termo envolve n\u00e3o \u00e9 mais que o estabelecimento de feitorias comerciais\u201d (p. 16).<\/p>\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de comum acordo com a de Celso Furtado em Forma\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Brasil de que a ocupa\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia atendia a uma necessidade expansionista do capital comercial europeu. A decad\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima, principalmente no que se refere ao Pau-Brasil, foi r\u00e1pida e teve como principal motivo o esgotamento das reservas naturais.<\/p>\n<p>Caio Prado J\u00fanior descreve as caracter\u00edsticas da ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, que ocorre a partir do litoral. O interior continua hostil e economicamente desinteressante. A economia passa a ser ligada \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar, produto com grande mercado na Europa, e a agricultura de subsist\u00eancia. Surgem, assim, as primeiras aristocracias olig\u00e1rquicas regionais do pa\u00eds. O que o autor n\u00e3o relata \u00e9 que boa parte do capital ali investido viera dos Pa\u00edses Baixos. Segundo Celso Furtado, \u201cexistem ind\u00edcios abundantes de que os capitais holandeses n\u00e3o se limitaram a financiar a refina\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do produto. Tudo indica que capitais flamengos participaram no financiamento das instala\u00e7\u00f5es produtivas no Brasil bem como no da importa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra escrava\u201d (FURTADO, 2007, p. 34). A decad\u00eancia do com\u00e9rcio de a\u00e7\u00facar ocorreu principalmente em fun\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia do a\u00e7\u00facar antilhano. Em meados do s\u00e9culo XVII, a Holanda invadir\u00e1 a regi\u00e3o de Pernambuco. Nesta \u00e9poca os holandeses j\u00e1 estavam vivendo a fase de um capitalismo financeiro e necessitavam reinvestir os capitais acumulados, as companhias holandesas que invadiram o Brasil eram privadas e financiadas por seu pr\u00f3prio sistema financeiro.<\/p>\n<p>Ao descrever a expans\u00e3o comercial (1640 \u2013 1770), Caio Prado J\u00fanior, inicia o texto com o final da Uni\u00e3o Ib\u00e9rica e os resultados nefastos que esta uni\u00e3o representou para Portugal. Complementando a isto, Celso Furtado alerta para o fato de que Portugal perdeu parte de seus entrepostos orientais \u201cao mesmo tempo que a melhor parte da col\u00f4nia americana era ocupada pelos holandeses\u201d (FURTADO, 2007, p. 63). Os holandeses somente ser\u00e3o expulsos do Brasil ap\u00f3s a ruptura portuguesa com a Espanha. Estas transforma\u00e7\u00f5es levaram a uma profunda mudan\u00e7a nas pol\u00edticas portuguesas na col\u00f4nia. Iniciou-se um per\u00edodo de incentivo a emigra\u00e7\u00e3o para o Brasil. Afora o monop\u00f3lio de certas atividades, os colonos n\u00e3o encontravam embara\u00e7o algum de ordem econ\u00f4mica, poderiam exercer livremente suas atividades, tanto dentro da col\u00f4nia quanto em rela\u00e7\u00e3o com o com\u00e9rcio exterior. Esta nova pol\u00edtica econ\u00f4mica da metr\u00f3pole sobre o Brasil significou que o \u201cliberalismo do passado substitu\u00eda um regime de monop\u00f3lios e restri\u00e7\u00f5es destinados a dar maior amplitude poss\u00edvel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e aproveitamento da col\u00f4nia, e canalizar para o Reino o resultado de todas as atividades\u201d (p. 55). O objetivo de Portugal passa a ser retirar da col\u00f4nia os produtos que melhor possam ser comercializados na Europa, gerando riqueza \u00e0 metr\u00f3pole. Os principais g\u00eaneros s\u00e3o o a\u00e7\u00facar, o algod\u00e3o e o cacau.<\/p>\n<p>Com a descoberta das minas gerais, iniciam-se modifica\u00e7\u00f5es na economia brasileira, pois h\u00e1 transfer\u00eancia de parte da m\u00e3o-de-obra das planta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar para as jazidas. O eixo econ\u00f4mico colonial \u00e9 transferido do nordeste para a regi\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o. Nas minas existiam dois tipos de trabalhadores: os das lavras, m\u00e3o-de-obra escrava, e os faiscadores, livres e aut\u00f4nomos. Os escravos em sua maioria eram deslocados dos engenhos, atendendo a necessidade de explora\u00e7\u00e3o das jazidas. As minas gerais exigiram a cria\u00e7\u00e3o de uma economia secund\u00e1ria de abastecimento aos mineradores. \u201cA agricultura e mais em particular a pecu\u00e1ria desenvolver-se-\u00e3o grandemente nestas regi\u00f5es\u201d (p. 65). Os metais preciosos retirados do solo colonial eram enviados para a metr\u00f3pole, apesar do alto n\u00edvel de prosperidade da regi\u00e3o, estes metais n\u00e3o geraram grande riqueza \u00e0 col\u00f4nia. O esgotamento das jazidas ser\u00e1 o principal motivo da decad\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nova conjuntura internacional gerada pelo Pacto Colonial, leva ao renascimento agr\u00edcola do Brasil. A Col\u00f4nia fica na obriga\u00e7\u00e3o de ofertar produtos de g\u00eaneros tropicais a Metr\u00f3pole por pre\u00e7o baixo, enquanto que toda a manufatura consumida na Col\u00f4nia deve ser exclusivamente adquirida da Metr\u00f3pole. Antes a produ\u00e7\u00e3o era de base no a\u00e7\u00facar, por\u00e9m com a queda dos pre\u00e7os deste produto no mercado internacional, a Col\u00f4nia passou a buscar alternativas de produ\u00e7\u00e3o, passou-se a plantar o algod\u00e3o, visando o mercado europeu, principalmente as manufaturas inglesas. A ind\u00fastria complementar \u00e0 agricultura continuou muito atrasada. O autor escreve tamb\u00e9m sobre a incorpora\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul ao Brasil. A importante regi\u00e3o de defesa fronteiri\u00e7a passou a desempenhar papel importante com o abastecimento de gado e mulas para o centro da col\u00f4nia, com o tempo passou-se a investir nas charqueadas, surgindo uma elite pecu\u00e1ria no sul. A economia sulina foi essencialmente de abastecimento do mercado interno colonial.<\/p>\n<p>Ao tratar da Era do Liberalismo, Caio Prado J\u00fanior afirma que<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) o antigo sistema colonial, fundado naquilo que se convencionou chamar Pacto Colonial, e que representa o exclusivismo do com\u00e9rcio das col\u00f4nias para as respectivas metr\u00f3poles, entra em decl\u00ednio\u201d (p. 123).<\/p>\n<p>At\u00e9 o s\u00e9culo XVII o capital que dominava era o comercial, somente no s\u00e9culo XVIII o capital industrial se desenvolver\u00e1 hegemonicamente. H\u00e1 uma revolta contra os monop\u00f3lios e quebra do Pacto Colonial, os Imp\u00e9rios Ib\u00e9ricos entram em decl\u00ednio. As Metr\u00f3poles tornam-se em parasitas das Col\u00f4nias. Os resultados destas mudan\u00e7as n\u00e3o deixaram de contribuir para o desenvolvimento econ\u00f4mico brasileiro, sendo \u201cum primeiro passo nesta grande transforma\u00e7\u00e3o que se ia operar no pa\u00eds\u201d (p. 131). A nova conjectura mundial eleva a Inglaterra para o centro econ\u00f4mico do planeta.<\/p>\n<p>Os efeitos desta liberdade comercial gerada pelo est\u00edmulo econ\u00f4mico leva a transfer\u00eancia da coroa portuguesa para o Brasil. A Abertura dos Portos leva a economia brasileira a um avan\u00e7o nunca antes alcan\u00e7ado. A coroa portuguesa, por\u00e9m, eleva os gastos da col\u00f4nia. A chegada dos nobres ao Brasil leva a uma grande mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos coloniais, causando uma sofistica\u00e7\u00e3o das elites locais. Estas transforma\u00e7\u00f5es levam a eleva\u00e7\u00e3o dos custos de importa\u00e7\u00f5es de produtos de luxo. Nisto o Brasil viver\u00e1 em constante d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio levando \u00e0 crise do regime servil e fim do tr\u00e1fico. Na verdade com o advento do capital industrial \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a nas estruturas econ\u00f4micas coloniais, \u00e9 preciso estimular o com\u00e9rcio interno que s\u00f3 poder\u00e1 existir com o surgimento de uma classe de trabalhadores livres, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 lugar para a m\u00e3o-de-obra escrava.<\/p>\n<p>A segunda metade do s\u00e9culo XIX at\u00e9 o final do Imp\u00e9rio se caracterizar\u00e1 pela aurora burguesa. A grande transforma\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 na revolu\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o das atividades produtivas. O renascimento agr\u00edcola ser\u00e1 impulsionado pela Abertura dos Portos e da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A crise do a\u00e7\u00facar leva a decad\u00eancia da for\u00e7a pol\u00edtica do norte e nordeste. O sudeste \u00e9 favorecido com a cultura do caf\u00e9, artigo que encontra grande mercado na Europa. O caf\u00e9 representa a \u00faltima das tr\u00eas grandes aristocracias do pa\u00eds &#8211; senhores de engenho, grandes mineradores e bar\u00f5es do caf\u00e9. A press\u00e3o pela aboli\u00e7\u00e3o leva a recrutar-se m\u00e3o-de-obra na imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia. S\u00e3o Paulo toma a dianteira econ\u00f4mica nacional. O pa\u00eds entra em franca prosperidade e ativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Esta nova aristocracia ao contr\u00e1rio das anteriores passa a reinvestir capitais, principalmente na nascente ind\u00fastria brasileira. Cabe aqui uma cita\u00e7\u00e3o de Celso Furtado que complementa a afirma\u00e7\u00e3o de Caio Prado ao se referir ao caf\u00e9 como o:<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) produto que permitiria ao pa\u00eds reintegrar-se nas correntes em expans\u00e3o do com\u00e9rcio mundial; conclu\u00edda sua etapa de gesta\u00e7\u00e3o, a economia cafeeira encontrava-se em condi\u00e7\u00f5es de autofinanciar sua extraordin\u00e1ria expans\u00e3o subseq\u00fcente, estavam formados os quadros da nova classe dirigente que lideraria a grande expans\u00e3o cafeeira\u201d (FURTADO, 2007, p. 172).<\/p>\n<p>Com a Rep\u00fablica, Caio Prado J\u00fanior descreve o alargamento e a expans\u00e3o das for\u00e7as produtivas e o progresso material nacional. O problema da m\u00e3o-de-obra foi resolvido com a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e com a imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, por\u00e9m a substitui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra prejudicar\u00e1 a grande propriedade, principalmente no norte e nordeste. A transi\u00e7\u00e3o leva o pa\u00eds a uma grande crise econ\u00f4mica. As fal\u00eancias banc\u00e1rias levam as reformas de 1898 que beneficiam a entrada de capital financeiro estrangeiro no pa\u00eds. Esta altera\u00e7\u00e3o leva a prosperidade das lavouras de caf\u00e9, cacau e modernidade das pequenas propriedades. O capital acumulado por estes foi revertido, em parte, na implementa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, principalmente em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a industrializa\u00e7\u00e3o enfrentou obst\u00e1culos, tais como a car\u00eancia de energia, falta de siderurgia e, principalmente, aus\u00eancia de mercados consumidores, sem o qual n\u00e3o se pode produzir em larga escala.<\/p>\n<p>Se por um lado a ind\u00fastria encontrou algumas dificuldades infra-estruturais, por outro, encontrou facilidades, tais como, incentivo e incremento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e o baixo custo da m\u00e3o-de-obra, que neste momento tornara-se abundante. Outro fator importante ao desenvolvimento industrial brasileiro foi a Primeira Guerra Mundial que deu um grande impulso \u00e0 ind\u00fastria e \u00e0 economia nacional.<\/p>\n<p>O imperialismo forneceu os elementos necess\u00e1rios para o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, mas por outro lado, \u201cfoi acumulando um passivo consider\u00e1vel e tornou cada vez mais perturbadora e onerosa sua a\u00e7\u00e3o\u201d (p. 270).<\/p>\n<p>Caio Prado J\u00fanior completa a obra com a o per\u00edodo de crise, onde o Brasil enfrenta a crise gerada com o final da Primeira Guerra Mundial e o fim do imperialismo. Dificuldade em importar combust\u00edveis, crise do caf\u00e9, transporte mar\u00edtimo paralisado e crise do cacau. H\u00e1 a necessidade de transforma\u00e7\u00f5es nas estruturas produtivas, necessidade de amplia\u00e7\u00e3o do mercado interno e progresso tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cA transforma\u00e7\u00e3o que apesar de tudo se operou, fez-se muitos vezes defeituosa, freq\u00fcentemente apenas como expediente oportunista em frente a embara\u00e7os que iam surgindo\u201d (p. 298).<\/p>\n<p>A Segunda Guerra Mundial trouxe grandes transforma\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio internacional. A ind\u00fastria nacional n\u00e3o abastecer\u00e1 somente o mercado interno, mas tamb\u00e9m o externo, principalmente Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica do Sul e Estados Unido da Am\u00e9rica, principalmente com tecidos. O equil\u00edbrio econ\u00f4mico nacional dado pela guerra \u00e9 circunstancial e passageiro, com o final da guerra \u00e0 crise volta. Dois anos depois do fim da guerra a balan\u00e7a comercial j\u00e1 \u00e9 deficit\u00e1ria. Recorre-se novamente ao controle das importa\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 melhora com a valoriza\u00e7\u00e3o do caf\u00e9. O grande problema para o desenvolvimento econ\u00f4mico nacional, enquanto parte do sistema imperialista, \u00e9 atuar sempre de acordo com os interesses dos trustes aqui instalados.<\/p>\n<p>A crise gerada pelo final da Segunda Guerra Mundial forja \u201cas for\u00e7as e fatores renovadores que desvendam largas perspectivas, para a reestrutura\u00e7\u00e3o da economia brasileira\u201d (p.342). A reestrutura\u00e7\u00e3o trata de apressar o processo de transforma\u00e7\u00e3o, realizando a reforma estrutural necess\u00e1ria a economia brasileira, transforma\u00e7\u00e3o inserida na nova realidade internacional, o pa\u00eds entra no sistema capitalista.<\/p>\n<p>O capitalismo representou uma ruptura nas antigas estruturas col\u00f4nias, pois o capital industrial n\u00e3o possui a mesma l\u00f3gica do capital comercial, foram necess\u00e1rias v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es na estrutura econ\u00f4mica nacional. Em primeiro lugar a reestrutura\u00e7\u00e3o teve que partir da altera\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, como a viabiliza\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de um proletariado, o que inviabilizava a exist\u00eancia do trabalho servil, problema que \u00e9 parcialmente resolvido com a aboli\u00e7\u00e3o e com as imigra\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias. Em segundo lugar, existe a necessidade de mercados consumidores, problema que foi resolvido, em parte, com a quebra dos monop\u00f3lios comerciais e com a restri\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es. Estas altera\u00e7\u00f5es atingiram diretamente as antigas aristocracias que viram seu poder econ\u00f4mico reduzido, por isso tornaram-se opositores do novo sistema.<\/p>\n<p>O livro de Caio Prado Junior, um cl\u00e1ssico da historiografia brasileira, \u00e9 sem d\u00favida um livro que necessita ser mais estudado e analisado nos cursos de Hist\u00f3ria em nosso pa\u00eds. Apesar de ter sido escrito na d\u00e9cada de 1950, sendo atualizado em 1970, e estar ultrapassado em alguns aspectos, o livro continua atual\u00edssimo e fornece as ferramentas para uma an\u00e1lise aprofundada da de nossa hist\u00f3ria econ\u00f4mica. Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil n\u00e3o \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria somente a marxistas, mas a todos os interessados em desvendar as estruturas econ\u00f4micas de nosso pa\u00eds, principalmente os que sonham com um Brasil mais justo.<\/p>\n<p>Porto Alegre, 22 de novembro de 2007<\/p>\n<p>RESENHA DO LIVRO:<br \/>\nPRADO JUNIOR, Caio. Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2006.<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA:<br \/>\nARRIGHI, Giovanni. O Longo S\u00e9culo XX. S\u00e3o Paulo: Contraponto\/UNESP, 1996.<\/p>\n<p>FURTADO, Celso. Forma\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Brasil, 34\u00aa. ed. S\u00e3o Paulo: Cia. Das Letras, 2007.<\/p>\n<p>LAPA, Jos\u00e9 Roberto do Amaral. O Antigo Sistema Colonial. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1982.<\/p>\n<p>PRADO JUNIOR, Caio. Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2006.<br \/>\n&#8212;&#8211;<br \/>\nTrascrito d3 &#8211; http:\/\/www.historialivre.com\/brasil\/caiopradojr.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcos Em\u00edlio Ekman Faber e Ismael Wolf Orientadora: Dra. Ana Inez Klein Introdu\u00e7\u00e3o Caio Prado J\u00fanior formou-se em Direito em 1928 na USP, em 1956 obteve a Livre Doc\u00eancia com a tese Diretrizes para uma Pol\u00edtica Econ\u00f4mica Brasileira (USP). Foi eleito Deputado Estadual em 1947 pelo PCB, por\u00e9m teve o mandato cassado em fun\u00e7\u00e3o da ilegalidade em que o partido foi submetido durante o Estado Novo. Entre suas principais obras<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[18],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v16.3 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>RESENHA DE HIST\u00d3RIA ECON\u00d4MICA DO BRASIL DE CAIO PRADO JUNIOR - TRIBUNA DA PRAIA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/tribunadapraia.com.br\/?p=769\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"RESENHA DE HIST\u00d3RIA ECON\u00d4MICA DO BRASIL DE CAIO PRADO JUNIOR - TRIBUNA DA PRAIA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Marcos Em\u00edlio Ekman Faber e Ismael Wolf Orientadora: Dra. 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